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Copacabana em 1906.

 
     
 

                                                                                                                 

 

O comendador e Copacabana

     
  Surgiu a “Fazenda do Leme”, que durou até fins do século XIX. Sua sede era
uma casa térrea que ainda existia nos anos trinta, na base do morro do Chapéu Mangueira. Em meados do século XIX, a família Suzano vendeu grande parte desses chãos ao Comendador João Cornélio dos Santos, que, entretanto, nada fezcom eles.

As coisas estavam nesse pé quando em 1873 surgiu a figura do alemão
Alexandre Wagner, capitalista e grileiro. Wagner comprou a 07 de maio de 1873 todas as terras da família Suzano e de seu vizinho, o Comendador João Cornélio dos Santos, tornando-se único proprietário dos chãos que iam do morro do Leme até a Pedra do Inhangá.
Wagner abriu diversas ruas em suas terras, doando-as à municipalidade em
1874,mas o isolamento de Copacabana impediu qualquer loteamento sério na região.
Em 1881, seus dois genros e procuradores Theodoro Duvivier e Otto Simon fundaram a empresa Duvivier & Cia. Levando avante a abertura das referidas ruas e desenvolveram o seu loteamento. Entretanto, poucos foram lá morar.
Copacabana começou a tornar-se uma realidade quando em julho de 1892 foi
inaugurado o túnel ligando a rua Real Grandeza, em Botafogo, à Rua Barroso (atual Siqueira Campos), por iniciativa da Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, quando gerenciada pelo inteligente engenheiro José Cupertino Coelho Cintra.

O bonde ia até a estação, localizada na Praça Malvino Reis (atual Serzedelo Correia) e foi um grande avanço para a efetiva ocupação do bairro. Dois anos depois, o Prefeito Coronel Henrique Valadares inaugurou dois novos ramais, Leme e Igrejinha (atual Posto VI), sendo as novas linhas inauguradas a 15 de abril. Onze dias depois, era lançado ao público o novo loteamento do bairro do Leme, com várias ruas já cordeadas.

Em 1904 a Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico inaugurou sua nova estação e restaurante anexo, logo arrendado à Cervejaria Brahma.

CÂMARA MUNICIPAL

Um dito de João Martins Cornélio dos Santos pedindo concessão para fazer o calçamento, dado o nivelamento previamente do engenheiro da Câmara[19], da frente de sua casa à rua do Imperador n.º 62, com pedras miúdas e cobertas com cimento, a exemplo do que se tem concedido a outros proprietários. Concedido na forma requerida, dando o respectivo engenheiro o nivelamento.
Ata da sessão da posse da municipalidade, que tem de funcionar durante o quadriênio de 1869 a 1872, aos 7 dias do mês de janeiro de 1869, sob a presidência do sr. tenente-coronel João Batista da Silva.
Ofício

Il.mos Srs.. Estando regularizando o alinhamento e nivelamento das ruas desta cidade, que não estavam feitos, já este ano dei começo a estes trabalhos gráficos, ficando para mais tarde dar o resultado deles, logo que estejam todas as ruas regularizadas.

Na rua do Imperador, lado esquerdo, o [lajeado] da casa de João Martins Cornélio dos Santos é a base do nivelamente desse lado, e do lado direito a casa de Valbert Robb [sic], no fim dessa rua.

O alinhamento da rua Westfália é a casa de Pedro Flaeschen do lado direito, e o da rua Aureliana, a casa de Antônio José de Oliveira Silva, do lado esquerdo.

As mais ruas que já se acham edificadas quase em sua totalidade, ficam sendo em seguimento o seu verdadeiro alinhamento, e o maior número de casas lajeadas, no mesmo nível, servirá também de nivelamento, para não alterar tanto a altura dos prédios, e para não ficarem alguns enterrados e outros pendurados.

Dando conhecimento à Câmara do andamento destes trabalhos, satisfaço o que a mesma Câmara me incumbiu logo que lhe ofereci os meus trabalhos como engenheiro, e estes gratuitamente. Deus guarde as V. S.as. Paço da Câmara Municipal de Petrópolis, 31 de dezembro de 1869. Il.mos Srs. presidente e mais vereadores. O engenheiro Manuel Antônio Bordini.

UM REQUERIMENTO

Um requerimento de João Martins Cornélio dos Santos, datado em 24 de março último, nos termos seguintes: "Il.mo Sr. presidente da Câmara Municipal de Petrópolis. Diz que João Martins Cornélio dos Santos, morador à rua do Imperador, nº 62, que tendo já representado à Ilma. Câmara Municipal pedindo providências sobre o mau estado da casa mesma rua, nº 64, que fica ao lado da do suplicante e cujo estado ameaça desabamento eminente, (como foi verificado pela vistoria feita por ordem da própria e Ilma. Câmara), especialmente depois dos últimos dias de chuvas contínuas; vem pedir de novo a Ilma. Câmara providências prontas, protestando ( no caso contrário ) como o faz desde já, contra a mesma Ilma. Câmara pelos prejuízos, perdas e danos que venha a sofrer, e pelo que pede se sirva deferir em forma requerida. Espera real mercê."

O sr. dr. do Val pediu a palavra e declarou que tendo chegado ao seu conhecimento não só o ofício de Bernasconi, como também o requerimento de João Cornélio, há pouco lido, concernente tudo à casa da massa falida de Falque & Irmãos, à rua do Imperador, nº 64, e entendendo que se devia providenciar prontamente a respeito, ordenara, no dia 8 do corrente, ao procurador da Câmara[136], que promovesse judicialmente, e como fosse de direito, a demolição do prédio em questão, na parte que ameaça desabar sobre o de João Cornélio. À vista do que, a Câmara aprova o procedimento que a respeito tivera o sr. dr. Val e deliberou que o requerimento de João Cornélio fosse ao procurador da Câmara, para proceder como lhe fora ordenado.

 
 
 
     
 
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