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Os Breves Cornélio dos Santos
João Batista de Castro e Maria Isabel Breves Cornélio dos Santos

 

Os Breves Cornélio dos Santos

 


 

Maria Isabel Breves Cornélio dos Santos casada com João Batista de Castro, tiveram sete filhos: Maria de Castro casada com José Bôde, João Batista de Castro Junior casada com Celina de Campos Negreiros, neta paterna dos barões de Cruz Alta, Cornélio Batista de Castro, Mário Batista de Castro casada com Alice Rodrigues Alves Taques Bittencourt, Raul Batista de Castro casada com Berta Almeida Prado, nascida em Bruxelas, na Bélgica, Cecília de Castro casada com D. José de Almeida e Vasconcelos e Rodolfo Batista de Castro.

Dos acima, o único vivo, D. José de Almeida e Vasconcelos, de velha estirpe portuguesa, atualmente marquês de Ruriz por herança, reside em Portugal.

João Batista de Castro nasceu em São João d'El Rei, província de Minas, à margem do lendário rio das Mortes, em 1849, filho primogênito de João Batista de Castro e Claudina Severina Batista da Silva. Pelo lado do pai foi seu bisavô, João Batista Machado, cujo retrato acha-se pintado no teto da Matriz de São João d'El Rey, província das ilhas, talves dos Açores. Foi riquíssimo negociante, ao tempo que se nadava em ouro nas Minas, era pai de Mariana Cândida de Jesus e Castro c.c. o Alferes Joaquim de Castro e Souza, natural de Portugal. Saint-Hilaire na Segunda Viagem a São Paulo, conta a entrevista que teve com esse rico comerciante em São João d'El Rey, para quem trazia uma carta de crédito de João Rodrigues Pereira de Almeida.

Pelo lado materno foi seu avô o Coronel Francisco Isidoro Batista da Silva, natural de Santarém, sobrinho de Dom Frei Cipriano, bispo de Mariana. Vieram juntos para o Brasil, aquele como militar de linha (milícias) este para pôr em ordem o bispado. Eram de antiga nobreza lusitana. Uma peculiaridade de Frei Cipriano; não ordenava pretos.

A avó materna Claudina Severina de Resende era da antiga e vasta família dos Resendes da Inconfidência, em que figurou um deles como participante, natural das imediações de São João d'El Rey.

João Batista de Castro até aos treze e meio anos de idade estudou as primeiras letras no Brasil, seguiu paa a Inglaterra, por determinação de seu pai, influenciado por amigos dessa nacionalidade, com os quais comerciava na cidade do Rio de Janeiro. Foi seu tio Carlos Batista de Castro, barão de Itaípe, seu acompanhante nessa viagem a Europa, foi o sogro do conde de Afonso Celso.

Após dois anos de estudo em Baylis House, nas cercanias de Windsor Castle, seu pai, que fora à França, fê-lo matricular-se no Liceu São Luís, em Paris; o único nesse Instituto, onde havia oito paraguaios.

Atraído por outros rapazes brasileiros, seguiu para Bruxelas, onde cursou os preparatórios exigidos na Universidade de Gand, a fim de cursar Engenharia Industrial, obtendo seu diploma em 1873. Matriculou-se novamente ao lado de Ramos de Azevedo, com o fito de diplomar-se como engenheiro arquiteto; não prosseguiu os seus estudos, porque seu irmão Carlos não quis completar o curso que fazia na Universidade. Esse irmão tinha uma belíssima voz de tenor, tendo cantado como amador na cerimoniosa corte austríaca, mercê dos seus magníficos dotes vocais.

Regressou João ao Brasil com sua mãe viúva e irmão. Voltou com idéias republicanas, adquiridas com os brasileiros que conviveu na Europa.

Casou-se no Rio de Janeiro, com uma filha do Comendador João Martins cornélio dos Santos e Cecília Sousa Breves, indo residir em Juiz de Fora, onde apesar de republicano confesso, elegeram-no vereador, conservadores e liberais. Renunciou ao cargo após algum tempo, por discordar dos processos políticos e administrativos vigentes na época.

Foi presidente da Estrada de Ferro Juiz de Fora a Piaui, tendo como empreiteiro Quintino Bocaiúva, de quem se tornou amigo. Montou uma fábrica de cal e exploração de mármores em Carandaí, onde construiu fornos contínuos, com camisa refratária de pedra sabão, tirada de suas terras. Construiu em Juiz de Fora um chalé em estilo suíço que na época era a melhor casa em conforto e aparência.

Indo ao Rio tratar de negócios, encontrou-se com seu parente Conselheiro Lima Duarte, que lhe pediu que hospedasse membros da Família Imperial, naquela cidade, travando-se então o seguinte diálogo:

- Não hospedo essa gente por sermos inimigos políticos.

- Castro ainda hei de fazer-lhe barão, você é republicano por esnobismo.

O resultado dessa conversa deu-se mais tarde, o Dr. Castro trouxe toda família para o Rio, fechou sua casa em Juiz de Fora, para não ter que hospedar pessoas que julgava indesejáveis.

Em 31 de agosto de 1881, foi inaugurado o trecho da estrada de ferro Juiz de Froa a Pomba, num percurso de 75kms, com a presença de Suas Majestades, tendo duas barracas de "comes e bebes", uma para as augustas pessoas, comitiva e demais autoridades. A outra para os operários e foi para esta que o presidente da estrada o engenheiro João Batista de Castro de dirigiu. D. Pedro II reclamou a presença dele. Com alguma relutância Dr. Castro se encaminhou para a barraca onde se achava o Imperador, sentando-se ao lado da Imperatriz, conversando o tempo todo com ela, sem se dirigir ao ilustre esposo. De quando em vez os seus olhares se encontravam e este desviava os olhos porque não conseguia fixá-los nos do outro, porque mais pareciam duas brasas acesas.

Em todas as festividades brasileiras, como nesta, havia banda de música e rojões. Desta vez, porém, o Imperador por luto de um seu Ministro, ordenou que abstivessem dessas manifestações ruidosas, em sinal de pesar, pelo infausto acontecimento, no que foi atendido. Mas, na hora da partida de Suas Majestades Imperiais e comitiva, o Dr. Castro, gritou "rompa meu povo" e os dobrados da banda retumbaram e as bombas dos foguetes espoucaram no ar.

A paixão política, turva a mente dos indivíduos a ponto de transtornar os espíritos mais lúcidos. A desobediência visava ao regime que o Imperador representava e não a sua pessoa austera e digna.

Passando a residir no Rio o Dr. Castro tornou-se comissário de café, sucedendo a seu sogro. Fez-se membro da Sociedade Nacional da Agricultura, e como 1º vice-presidente, representou a entidade no congresso agrícola de Belo Horizonte, presidido por João Pinheiro, fazendo vingar, na sessão de café, graças a palavra eloqüente e persuasiva de dr. Stockler os princípios da propaganda, traduzindo para nossa língua, com autorização solicitada ao autor, deputado francês Gailhard Bancelo, o Manual Prático dos sindicatos agrícolas.

Como propagandista do cooperativismo, Batista de Castro, escrevia no Jornal do Comércio do Rio, no Correio de Minas de Juiz de Fora e outros jornais, sem omitir o Jornal dos Agricultores, de Antônio Medeiros. a convite de João Pinheiro, foi a Belo Horizonte expor suas idéias sobre o problema do café, tendo, a esse tempo, obtido da firma Paul Kack, de Hamburgo, a representação de máquinas de beneficiar café, cujo trabalho permita transformar os nossos cafés de terreiro em cafés lavados, tirando disso provas práticas. Submetido o café à máquina e suas operações complementares, comissários do Rio e São Paulo, jamais descobriram ter antes seus olhos, aqueles tipos de café lavados, provindos de café de terreiro! E assim se conseguia imitar cafés de renome, Java, Bourbon, Ceylão etc.

Concebeu o plano de uma vasta associação de lavradores, plantadores de café, sob base cooperativista, cuja sede central, caberia de direito a São Paulo, com ramificações idênticas em Minas, Rio, Espírito Santo, Bahia etc. Os fazendeiros associados, estabeleceriam a cota a ser arrecadada pelos governos dos Estados produtores. As importâncias arrecadadas reverteriam em benefício dos mesmos fazendeiros indiretamente. Sob fiscalização do governo, o produto das cotas, seriam entregues às associações que aplicariam da seguinte maneira: instituiriam o crédito agrícola, fábrica de sacos, adubos, seguros, propaganda, inclusive o transporte marítimo em vapores próprios.

Todos os serviços e produtos fabricados pelas associações, seriam utilizados pelos associados, pelo preço de custo acrescido das despesas administrativas e operacionais, proporcionalmente à produção de cada fazendeiro. Por esta forma, conseguiriam baratear o produto, melhorando-o e realizando um princípio verdadeiro: "produzir muito, muito bom e muito barato". A produção seria controlada dentro da oferta e procura, lei que rege os mercados livres. Os próprios lavradores cuidariam melhor e mais sensatamente dos seus interesses que o mais bem intencionado governo, "mais sabe o tolo no seu, que o avisado no alheio."

As taxas e sobretaxas seriam eliminadas e, tanto quanto possível, a supressão de elementos intermediários, parasitários, interpostos entre produtores e consumidores. E continuava, não são os estrangeiros senhores e distribuidores dos nossos produtos que irão conquistar em nosso benefício, o alargamento do consumo. Este será conseguido pelo próprio esforço de quem produz, realizando outro princípio não menos verdadeiro, "produzir em boas condições, vender vantajosamente e conquistar novos mercados."

Certa vez, foi-lhe oferecida a praia de Copacabana por 60 contos de réis. Não lhe interessou a transação respondendo:

- "Que irei fazer com tanta areia..."

Nas vésperas de proclamar-se a República, num café do beco das Cancelas no Rio, indagava de Sampaio Ferraz o que havia, pois no ar qualquer cousa rosnava. Não obteve resposta, no dia seguinte proclamava-se a República. Após este acontecimento, foi chamado por Sampaio Ferraz, para chefiar o policiamento no pior bairro, a Saúde, centro da malandragem e capoeiragem do Rio de Janeiro. À medida que saneava esse bairro, com a prisão dos marginais que lá viviam, era procurado por negras que tentavam suborná-lo com presentes, alguns valiosos, suplicando-lhe que não enviasse seus homes para Fernando de Noronha.

Residindo Dr. Castro em Petrópolis, a esse tempo, Alcindo Guanabara de acordo com o governador Dr. Francisco Portela nomearam-no Presidente da Municipalidade dessa localidade, onde presidiu a primeira eleição, após a promulgação da Constituição.

Havia oposição chefiada pelo Dr. Porciúncula, vencedora no pleito. Os situacionistas, quiseram fraudar, mas Dr. Castro não consentiu e ameaçou denunciar a fraude e anular as eleições.

Construiu o palacete Castro, nas fraldas de um morro no alto da serra de Petrópolis, circundando-o um gramado inglês, com cavalariças do lado. No frontespício do palacete, o símbolo da república e logo abaixo as iniciais JBC. No canto esquerdo desse solar, visto de frente, uma torre no velho estilo do castelo. A escadaria de entrada toda de mármore, acima um alpendre com colunas que sustentavam uma varanda no andar superior. Era um belíssimo prédio. Nesta época, falecia sua primeira mulher na fazenda Santa Maria Madalena.

Mais tarde, esse palacete foi desapropriado pelo governo do Estado do Ro, demolido, e em seu lugar construiram uma vila operária...

Teve uma questão de somenos importância, com o conde de Frontin, que se agravou quando se encontraram na barca de Petrópolis. O Dr. Castro foi pedir explicações, o conde amedrontado pensou que ia ser vítima de uma agressão, se refugiou atrás de umas senhoras sentadas num banco e, brandindo o seu guarda-chuva, vociferava. Antes de decorridas 24 horas deste incidente, alcindo Guanabara se apresentava na residência do conde, como padrinho de Batista de Castro, para em nome este, desafiá-lo para um duelo. Duelo que nunca se realizou pela recusa do desafiado.

João Batista de Castro foi fazendeiro em Minas, Rio, Espírito Santo e São Paulo. Promoveu um inquérito sobre o gado zebu. Colaborou com Sérgio de Carvalho para a vinda do Dr. H. Raquet, fundador do posto zootécnico de São Paulo. Representou a Sociedade Nacional de Agricultura em vários congressos agrícolas, inclusive esteve na inauguração oficial, ao lado de Oliveira Belo, da Escola Agrícola Luís de Queirós em Piracicaba no Estado de São Paulo.

Bateu-se contra o convênio de Taubaté e outras valorizações artificiais que, dentro do seu ponto de vista, só trariam sobrecargas de tributações encarecendo o produto, dificultando o consumo, abrindo brecha para os sucedâneos e sofisticações. Ao mesmo tempo, incitava maiores culturas que viriam provocar desequilíbrios entre produção e consumo.

Casou-se segunda vez com Forliska de Mattos, motivo do envio dos filhos para estudarem na Europa. Deste matrimônio, teve dois filhos Luís e Pedro.

Exilou-se, como dizia, em Aparecida do Norte no Estado de São Paulo, onde adquiriu um sítio e descobriu uma leguminosa forrageira cujos detalhes acham-se consignados na publicação Chácaras e Quintais, tendo a análise química desse vegetal, revelado propriedades notáveis, como alimento para gado.

Em matéria de laticínios pregou a escola dinamarquesa baseada nas cooperativas, que infelizmente o Dr. Eduardo Jacobina não conseguiu impor ao seu projeto de estatutos, apresentado na reunião de criadores de Guaratinguetá, prevalecendo uma sociedade por quotas.

Não sendo a República aquela dos seus sonhos, alistou-se em 1928 no Partido Democrático, a fim de regenerá-la. Assumiu a Prefeitura de Aparecida, onde sofreu tremenda oposição por ser anti-clerical. No seu entender houve só um presidente digno desse nome: Prudente de Morais.

Passou a residir no Município de Taubaté, onde tinha uma propriedade agrícola no vale do rio Una, e constituiu a terceira família, com cinco filhos.

Internou-se na Santa Casa de Taubaté para tratamente de saúde. Aos 95 anos falecia.

 
 

 

 

 

     

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História do Café no Brasil Imperial - Rio de Janeiro, RJ.