Haritoff - um nobre russo na corte brasileira

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O palácio das Laranjeiras

 
     
 

 
  Bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Leuzinger. 1852. Instituto Moreira Salles  
     
  Tanto em Bela Aliança, como em Laranjeiras, os Haritoffs recebiam com igual elegância e fidalguia. Quando em 1883 inauguraram os salões de Laranjeiras, e começou a série deliciosa dos "mardis de Mme. Haritoff", o "Messager du Brésil", publicou larga notícia: "une brésilienne doublée d'une vraie parisiense, dont la grâce, l esprit et la haute distinction ont reçu une consécration solenelle dans les salons les plus aristocratiques de la société européene, vient d inaugurer ses mardis dans le magnifique hôtel qu elle habite à Laranjeiras".

Raramente, mesmo nas capitais da Europa, encontrar-se-iam reunidos numa casa tanto conforto, luxo e bom gosto, e uma tão perfeita cortesia, distinção e belas maneiras aliadas a "ce je ne sais quoi, a cette morbidesse, cette largueur pleine de grâce et de charme qui est le caracteristique de la beauté créole".

Chove o jornalista elogios sobre Madame Haritoff, à sua ggraça, amabilidade, sedução, espírito cintilante. Ela representava um completo exemplar da "grande-dame", secundada pelo marido "ce russe si français, parisien jusqu au bout des ongles, at que, aprés avoir éte le type acompli du parfait boulevardier, camarade des Grammont Caderousse, Morny, Lima e Silva, acompagna Gourko ou passage des Balkans, s est fait simplesment agriculteur sur cette terre bénie du Brésil".

Com a primeira e brilhante recepção iniciava-se uma nova era nos costumes brasileiros: - "la causerie intime réunissait en un seul faisseau tou les invités qui s éfforçaient de suivre la maitresse de maison dans el tornoi oú son esprit billait comme un pur diamant".

Era um registro inaugural e foi um hino.

Não desceram desse tom de entusiasmo admirativo todos os que elogiaram Mme. Haritoff e seu salão.

     

  Ao Ministro argentino Vicente Quesada, por exemplo, tudo ali pareceu belo, grandioso, artístico, rico, extraordinário. Os jardins - "extenso parque boscoso" de grandes árvores, quase ocultavam a vasta casa de Laranjeiras (hoje escola Rodrigues Alves) de larguíssimos salões, ricamente decorados com objetos de valor e de arte, pinturas, telas porcelanas, que se mostravam aos clarões de uma iluminação, distribuída com refinado gôsto.

O olhar do visitante tinha muito o que admirar: além dos quadros e os grandes jarrões de malaquita, os adornos da gôndola da Imperatriz Maria Luísa, quando se dirigiu à França, de veludo carmesim com ornatos dourados, e a coroa imperial de Napoleão bordada a ouro em alto-relêvo; e, no extenso "fumoir", na tela de Richter, que ainda podemos contemplar no Museu Nacional de Belas Artes, o retrato de Mme. Haritoff.

 

Vicente Quesada (1830 - 1913). Embaixador argentino    

Era um autêntico palácio.

Quesada recordava "comidas e fiestas", e, com encantamento, um grandioso baile a que assistira: orquestra numerosa e de brilhante execução; o buffet dirigido por um serviçal caracterizado à russa.

Um cronista da época (1883) alude com igual vigor de expressão àquele ambiente requintadamente artístico e opulento - os Vieux Saxes Vieux Sèvres sobre os móveis de Boule - a dona de casa em grande toillete, seguida de perto pelo marido a ajudá-la como um maitre d'Hotel, e por numerosos fâmulos encasacados.

Receber com afabilidade era um dom especial de Mme. Haritoff. Possuía o "talento, a graça de pôr à vontade e a contento nos seus sal·es todos os convidados. Com aquela perspicácia das pessoas de escolha - escrevia outro conquistado pela amabilidade ("A Estação" - 15 de outubro de 1883), - ela enxerga, como um lince, através de tudo a vontade de cada um e procura ser.

 
 
  Fontes:
PINHO, Wanderley de. Salões e Damas do Segundo Reinado.
 
     
 

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