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Os orientalistas no século XVII

Safavid Ceramic


O século XVII se caracterizou por um grande interesse pelo mundo oriental. Em 1647 foi publicada a primeira tradução francesa do Corão, graças a André du Ryer que traduziu "Le Goulistan et le Boustan" do poeta persa Saadi em 1634. Esta edição foi um grande sucesso, não somente na França como em toda Europa, produzindo em seguida as edições em latim, inglês, alemão e holandesa. Du Ryer foi durante muito tempo consul em Alexandria, e coletou informações dos embaixadores residentes em Istambul, através de seus manuscritos.

Gilbert Gaulmim (1585-1605), conselheiro ordinário do rei, orientalista e bibliógrafo, publica o "Livre des Lumières en la conduite des rois composé par le sage Pilpay", que é um recorte de fábulas originárias do Inde e traduzidas do mundo mulçumano depois de Haut Moyen-Age, que inspira La Fontaine. Gualmim jamais viajou ao Oriente, entretanto, manteve correspondência com os viajantes eruditos da época como Savary de Brèves e du Ryer. Il lisait em turco, árabe e persa.

Paul Lucas (1664-1737) foi um viajante e arqueólogo que visitou o Egito, a Grécia, a Turquia e Ásia Menor, trazendo para a França em 1698 uma grande coleção de medalhas e objetos de arte. Trabalhou com manuscritos árabes, persas, turcos, sírios e hebreus que estavam despositados na Biblioteca do Rei, e em 1703 recebe o título de "antiquário" do rei Louis XIV
Gualmim é oriundo de uma família de parlamentares parisienses e Lucas é filho de joalheiros. São dois grandes burgueses que se propuseram a vasculhar a vida dos grandes orientalistas.

O mais ativo dos precurssores dos "orientalistas" foi sem dúvida François Savary de Brèves, embaixador em Instambul de 1591 a 1605, que foi um dos primeiros eruditos a comunicar a Europa com as ciências orientais. Politicamente, articulou o Tratado de 1604 entre Henri IV e Ahmet IV. Mais tarde foi felicitado pelo Papa Clément VII pelas garantias obtidas em favor dos cristãos. Viveu por mais de 20 anos no Oriente, falando fluentemente suas línguas, e paradoxalmente foi o autor de uma cruzada para anexar o império otomano, que ele percebia como uma grave ameaça a Europa. Ele articulava um ataque por mar e terra, juntamente com uma revolta interna dos cristãos sob o jugo dos sultãos. Por conhecer perfeitamente a língua oriental serviu com intérprete do império turco, notadamente no interior, junto à cinquenta colonos, enganjados na causa européia, através de uma propaganda eficaz. Para isso precisava da impressão de livros árabes que seriam difundidos por intermédio das igrejas do oriente, ou seja, usar de uma estratégia não belicosa, mas pacífica para difundir as idéias européias no Oriente.

Talvez por issso se explique o seu bom nome junto ao papado, pois foi ele o principal artífice de uma aliança política entre o rei de França e o sultão.

Savary volta a Paris e cria um colégio de línguas orientais, que será dotado de uma gráfica poliglota, para publicações escritas em árabe, turco e persa. Ele transfere de Istambul uma centena de manuscritos orientais, que nesta época representava a coleção mais importante da França. Após sua morte em 1628, Vitré foi o depositário da coleção até 1640, quando o Cardeal Richelieu adquiriu a coleção para sua biblioteca. Com a morte de Richelieu a duquesa d'Aiguillon, sua herdeira a transferiu para a Sorbonne.
 

 

 

 

 

     

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